quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Passa e Fica

Aventuras em torno da Pedra da Boca

REGIÃO AGRESTE

Aventureiros se preparam para subir a Pedra da Boca.

É verdade que a Pedra da Boca está em território paraibano, mas fica o tempo inteiro com a boca escancarada, sorrindo para o Rio Grande do Norte. O Parque Estadual da Pedra da Boca, principal atrativo turístico da região, pertence ao vizinho estado da Paraíba, no município de Araruna, distante 25 km da Pedra da Boca.

Com apenas 4 km de distancia, a simpática cidade norte-riograndense de Passa e Fica é porta de entrada para o Parque Estadual da Pedra da Boca e o início de aventuras variadas como escalada, rapel, mountain bike, montanhismo, além de longas caminhadas por trilhas inusitadas, através de fendas entre rochas ou atravessando grutas.

Pedra da Boca, da Caveira, do Coração, do Carneiro e da Santa são nomes dados em função do formato das pedras ou de alguma história contada envolvendo o conjunto de serras de pura rocha, onde escondem em seu interior dezenas de cavernas, grutas e ravinas, algumas inexploradas e outras com um rico acervo de escrituras rupestres.

A Pedra da Santa guarda uma imagem de uma santa num altar, atraindo romeiros em busca de fé. A caverna também está cheia de inscrições rupestre de Tradição Nordeste, datadas de pelo menos 12 mil anos, feitas por tribos indígenas da Nação Tapuia, que habitavam a região de fronteira antes do colonizador português.

O turismo ecológico, rural, de aventura e cultural, atraem pessoas com objetivos diferentes, levando informações sobre a fauna variada e preservada, além de uma flora abundante, composta por juazeiro, mangueira, jatobá, mandacaru, pau d’arco, entre outras espécies.

A menos de 2 km de Passa e Fica, o Rio Calabouço e sua “passagem molhada” dividem os estados da Paraíba e do Rio Grande do Norte, completando a composição da depressão do Brejo paraibano e a Região Agreste potiguar, onde está localizada a Pedra da Boca.

Caminhos guiados por Seu Tico

Seu Tico é um guia que conhece de todos os caminhos pelas montanhas.

Passa e Fica oferece boa infra-estrutura para o turista aventureiro, como pousadas e restaurantes, onde a boa mesa e uma longa noite de sono são necessários. Para os aventureiros mais radicais, tem a propriedade do Seu Tico, um simpático senhor que habita o sítio aos pés da Pedra da Boca e desde 1985 vem recebendo visitantes.

No terreno em volta da casa de Seu Tico, há uma área de camping, um restaurante, banheiros e chuveiros para dar suporte aos aventureiros que passam por lá. A estrutura é humilde e simples, mas oferece o necessário para quem está buscando mais natureza do que conforto.

De manhã bem cedo, depois do desjejum, Seu Tico reúne as pessoas que estão disposta a enfrentarem as trilhas para dar alguns conselhos antes de seguir pelas veredas da mata. Com tênis, roupas leves, protetor solar, água e cordas, o grupo de aventureiros segue Seu Tico de mata adentro para aventuras descabidas na Pedra da Boca.

Os municípios de Serra de São Bento, Monte das Gameleiras e Passa e Fica podem ser vistos já na boca. Quem conseguir chegar até o topo, subida quase impossível nos meses de chuva por conta da formação de lodo sobre a rocha, avista Araruna, no lado paraibano, e Nova Cruz, no agreste potiguar. -

Frivolitê: A beleza na ponta dos dedos

O frivolitê é um ponto delicado, feito com argulhas especiais.

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A denominação "frivolité", essencialmente francesa, é adotada em quase todos os países da Europa; entretanto os italianos nomeiam a técnica de "occhi". Já os orientais conservam a antiga denominação "makouk", enquanto nos países de lingua inglesa é chamada de "tatting". No Brasil, s bordadeiras de Passa e Fica mantêm vivo a frivolité, tipo de renda cada vez mais rara de se encontrar. Em Passa e Fica, a Casa do Artesão ajuda a comercializar a produção.

A renda rica em detalhes que se executa com uma naveta (espécie de agulha) usando fio de seda, algodão ou linho e exige muita coordenação motora para não errar os pontos. Basta um pequeno descuido para colocar horas de trabalho a perder. A naveta ou navete, espécie de agulha de madeira fabricada artesanalmente pela própria rendeira, é o único instrumento utilizado para ir formando a renda. A agulha artesanal é feita da casca do tronco dos cajazeiros.

Luzinete Balbino, coordenadora da Associação dos Artesãos, conta que a frivolité fez muito sucesso no São João do Nordeste, feira realizada em 2004 no Anhembi, em São Paulo. A exposição do artesanato de Passa e Fica na feira paulista abriu um novo mercado para os vinte artesãos da Associação.

Para atender os turistas, os artesãos começam também a pintar as paisagens do município em tecido. A Pedra da Boca serve de tema para decorar panos de prato e panos de bandeja. O desafio agora é conseguir levar os turistas estrangeiros, vindos nos passeios organizados por agências de turismo, a visitar a Casa do Artesão.
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O teatro dançante do grupo Macambirais

O Boi de Reis é uma das danças apresentada pelo grupo teatral.

Teatro e dança também formam o cenário cultural do município. O grupo teatral Macambirais é uma companhia de dança e cultura popular, criada em 2001, que utiliza elementos do folclore nordestino para apresentar suas danças e peças teatrais.

O tradicional forró pé-de-serra, o côco-de-roda, cirandas, maracatus, araruna, caboclinhos, entre outras danças são apresentados pelo grupo fazendo algumas adaptações. O grupo também apresenta dramas, cânticos de romanceiro e autos populares.

Os organizadores do grupo confessam que o único objetivo era criar uma opção cultural para os visitantes da Pedra da Boca. Porém, com o tempo, foi se percebendo que aqueles garotos tinham um grande potencial artístico e poderiam ser mais bem aproveitados dentro do projeto de valorização cultural do município.

O grupo expandiu as atividades desenvolvidas inicialmente e terminou sendo parte do Projeto Macambirais, ONG criada em 2003 para educar, qualificar e desenvolver um projeto de inclusão social para a criança e adolescente. O espetáculo “Nordeste Vivo”, uma mostra de 32 danças, tem sido apresentado em diversos Estados brasileiros. Um grande passeio cultural pelas mais variadas manifestações populares e que melhor caracterizam a alma cultural norte-riograndense.

A Companhia Macambirais foi o único grupo potiguar na Festa do São João do Nordeste, realizada no Anhembi, em São Paulo, e do Pernambuco em Concerto, em Recife. As danças do Macambirais foram apresentadas também nas feiras do “Brasil Mostra Brasil” em João Pessoa, e na FIART, em Natal. Os dançarinos permanecem no Macambirais até completarem 21 anos.

Quando os viajantes passavam e ficavam

O Parque Pedra da Boca está localizado na fronteira entre o RN e a PB, sendo administrado pelo Estado da Paraíba.

Conta a lendária história que, no ínicio do século passado, o senhor Daniel Laureano construiu uma casa para moradia com sua família e, ao lado, uma mercearia para abastecer aqueles que trafegavam por uma estrada que ligava Nova Cruz ao brejo paraibano, onde os viajantes passavam para as feiras de gado.

Essa pequena bodega de beira de estrada vendia todo tipo de quinquilharia, além de oferecer comida e aguardente aos que ali passavam. Aos poucos, o pequeno comércio tornou-se conhecido de todos, que ao passarem pela estrada eram atraídos a entrar na bodega e não queriam sair.

De acordo com o historiador Câmara Cascudo, no seu livro “Nomes da Terra”, a bodega do senhor Daniel Laureano tomou influência pelas redondezas, dando origem a um pequeno povoado ao seu redor. E para justificar o sucesso do comércio, as pessoas diziam que aquele lugar era o “passa e fica”, e assim surgiu o nome do lugar.

Escrituras rupestres nas serras do Parque Estadual da Pedra da Boca.

Várias serras convidam para escladas, rapel ou longas caminadas.

A vida bucólica é uma caracterísktica de Passa e Fica.

Serra com um formato de caveira, conhecida como Pedra da Caveira.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

São Miguel do Gostoso

A praia mais gostosa do litoral potiguar

LITORAL NORTE

A estrada que leva à Gostoso é muito bem sinalizada.

“Aqui se faz Gostoso” anuncia a placa na entrada do pequeno município praieiro de São Miguel do Gostoso, distante 120 km da capital potiguar. Localizado no litoral norte, no chamado “Pólo Costa Branca”, a cidade é ladeada de imensos coqueirais e vários quilômetros de praias mansas e quase virgens.

O certo é que São Miguel do Gostoso está na ponta da língua do turista mais antenado, seja brasileiro ou estrangeiro, que procura por aventuras em lugares intocáveis. A cidade é um dos “points” turísticos do litoral nordestino. Gostoso está localizado na esquina do continente sul-americano, literalmente onde o vento faz a curva.

Apesar do seu nome inusitado, a população chama carinhosamente o local de Gostoso, esquecendo o arcanjo que contribui com o nome. Gostoso é nome para embelezar os estabelecimentos comerciais e ainda dá nome para quem nasce no município: se for homem é “gostoso”, se for mulher é “gostosa”. Pessoas vindas de outros locais que se estabeleceram em Gostoso são chamados de “gostosenses”.

Um dos novos destinos do litoral potiguar, São Miguel do Gostoso já se adaptou ao turismo, mas não perdeu o charme de vila de pescadores. Longe de ter a badalação da praia da Pipa, Gostoso ganha em tranqüilidade e preservação. Por causa dos ventos constantes, o lugar atrai também os amantes do windsurf e kitesurfe.

Quem vai para Gostoso deve se preparar para ficar desconectado do mundo por alguns dias. Não há sinal de celular por ali. Ao contrário de outras paias nordestinas, onde a balada faz parte do cardápio, o perfil de São Miguel do Gostoso é exatamente o de um lugar para quem quer desfrutar de sombra, água de coco e praias desertas para longas caminhadas.

Praias de Gostoso

A cada baía se descobre praias lindíssimas na ponta das Américas.

Além das praias urbanas como Ponta do Santo Cristo, Xepa, Cardeiro e Maceió, São Miguel do Gostoso oferece outras praias belíssimas ao lonmgo do seu litoral. Uma delas é a Praia do Tourinho, formada por dunas fossilizadas há mais de dois mil anos.

No município também está localizada a Praia do Marco. Ela tem este nome porque foi ali que, um ano após o descobrimento do Brasil, os portugueses chantaram o primeiro marco colonizador nas terras brasileiras, durante a expedição do navegador Gaspar de Lemos, em 1501.

Formada por dunas enormes, a praia do Marco também é conhecida como Dunas do Vespúcio (uma homenagem a Américo Vespúcio, que integrava a expedição de Lemos). Apesar da importância histórica desse marco colonial, o fato é conhecido apenas por estudiosos e historiadores.

O poético Ministro da Cachaça

Edson Nobre recebe os visitantes com uma chachaça de primeira na Urca do Tubarão.

Em meio a barris de cachaça e ao som de discos de vinis antigos, ele recebe seus visitantes recitando versos do poeta paraibano Augusto dos Anjos. O lugar se chama “Urca do Tubarão", um misto de barzinho, restaurante, museu e discoteca ao ar livre - criado pelas mãos do simpático Edson Nobre.

O lugar é decorado com várias vitrolas e toca-discos que funcionam muito bem, além de rádios antigos, telefones, máquinas de escrever, uma cadeira de dentista do século passado, uma velha caixa registradora que também funciona e marca o troco em cruzeiros.

Entre os lançamentos de vinil, o visitante pode escolher de Pink Floyd a Altemar Dutra, de Frank Sinatra a Tonico e Tinoco, de Roberto Carlos a Trini Lopez, de Guilherme Arantes a Elomar. Clássicos e modernos, há música para todos os gostos e ocasiões.

A Urca do Tubarão vive cheia de turistas brasileiros e gringos que descobriram o paraíso de Gostoso. Edson não é nobre só no nome. Gosta de contar histórias dos que visitam seu espaço. Na região de Gostoso, ele também é o Ministro da Cachaça da região e vendo uma deliciosa aguardente artesanal, genuinamente gostosa. Vale a visita a Urca do Tubarão.

Praias especiais para descansos.
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Vagas na praia é sinal de que o sertão encontra o mar em São Miguel do Gostoso.
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Passeios de bugguy pelo litoral é uma excelente opção de lazer.
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A Lagoa Salgada é uma das dezenas de lagoas em torno de Gostoso
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Pousadas e hotéis a beira-mar garante a tranquilidade ao visitante.
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O mar de Gostoso convia para banhos refrescantes e demorados.
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Algumas dunas na beira do mar compõe o visual de Gostoso.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Tibau do Sul

Entre a lagoa e o mar

LITORAL SUL

Um inesquecível pôr-do-sol na Lagoa Guaraíras.

Imagine um lugar onde a Mata Atlântica se encontra com rios, lagoas e o mar! Distante 80 km da capital potiguar, Tibau do Sul reúne uma diversidade de visuais para impressionar qualquer turista experiente.

O nome de Tibau do Sul foi dado pelos índios Potiguares que habitavam o litoral e significa “entre duas águas”, devido ao fato do pequeno vilarejo estar situado entre a Lagoa de Guaraíras e o Oceano Atlântico.

Depois de ser desmembrada do município de Goianinha, foi acrescentada a palavra “Sul” ao nome Tibau para diferenciar de outro município potiguar, localizado no extremo norte do Estado, fronteira com o Ceará.

Bem diferente da agitada e cosmopolita praia da Pipa, Tibau do Sul é ideal para procura sossego e tranqüilidade. Alem de ser cercada de belezas naturais, a comunidade conta com excelentes opções de restaurantes, hotéis, pousadas, barzinhos, lojinhas, etc.

A Lagoa Guaraíras

Lagoa Guaraíras.

A Lagoa de Guaraíras entra pelo Oceano Atlântico num abraço mágico, como se a natureza precisasse pedir licença para ser bela. No final do dia, quando os últimos pescadores ainda estão tarrafeando, esse recanto de água doce oferece um pôr-do-sol cinematográfico. Imperdível para os românticos!

No pé de algumas falésias que margeiam Tibau do Sul, a grande extensão de areia alva revela as praias de Cacimbinhas, da Bóia e do Giz. O destaque é a praia Ponta do Pirambu, uma espécie de oásis com coqueiros a beira mar, entre dunas, falésias e a mata nativa.

Praia de Simbaúma

A praia das Minas é usada para desova de tartarugas marinhas.

Um antigo quilombo deu origem ao vilarejo de Simbaúma, uma singela comunidade de pescadores que faz questão de preservar suas tradições e o espírito guerreiro de seu povo. A praia é calma com ondas fracas e água morna, propícia para longos banhos de mar.

Simbaúma mantém um trecho da Mata Atlântica preservada até a foz do Rio Catú, que separa Tibau do Sul do município de Canguaretama, no encontro com o mar. Na beira do rio, os turistas colocam suas espreguiçadeiras e se deleitam ao sol, na união da água doce com a salgada.

Lagoa Guaraíras.

Travessia de carros em balsas pela Lagoa Guaraíras.

Praia de Pirambúzios.

Praia de Simbaúma.

Travessia do rio entre Tibau do Sul e Baía Formosa.